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Comecei a escrever este livro há cerca de um ano, depois de me encontrar na sala de reanimação do Hospital da Sunshine Coast. Já fazia sete anos desde o dia em que meu irmão foi assassinado. Sete anos desde que minha saúde começou a colapsar. O primeiro sinal inequívoco foi um câncer de mama agressivo. Depois vieram a inflamação e a dor, e, por fim, as alergias. Sete anos. Sete anos até eu chegar ao limite do que a medicina podia fazer por mim. Se eu quisesse encontrar o caminho de volta para mim, precisaria entender o que o trauma havia feito ao meu corpo. O impacto do trauma na biologia humana já foi profundamente estudado, e existe vasta literatura sobre o assunto. Mas eu ainda não conseguia entender. A linguagem me parecia complexa demais, técnica demais, distante demais da minha própria experiência. Eu precisava de algo mais fácil de digerir, de uma forma de enxergar a biologia que eu estava aprendendo — e foi assim que nasceram os desenhos. No início, eram apenas palavras difíceis ligadas por linhas. Mas, à medida que o diagrama ganhava forma, percebi que o corpo funciona como uma Vila, com: estrutura, movimento, conversas, um lugar onde algo está sempre acontecendo. Então comecei a substituir as palavras difíceis por elementos simples de uma Vila: o hipotálamo virou uma ponte, as mitocôndrias, os geradores de energia. Pouco a pouco, a Vila cresceu. E, junto com ela, cresceu também a minha compreensão do que estava acontecendo dentro de mim. E, lentamente, minha saúde começou a melhorar. Não porque eu tivesse encontrado uma cura. Não encontrei. O que encontrei foi uma forma de enxergar. E, quando conseguimos enxergar com clareza, conseguimos responder melhor. Quando passamos por acontecimentos traumáticos, tendemos a acreditar que ninguém compreende o nosso sofrimento porque ninguém sofreu tanto quanto nós. Mas todo mundo carrega uma história que dói, o que faz o trauma apenas parte da condição humana. Uma parte que frequentemente vem acompanhada de perguntas: O que está acontecendo com o meu corpo? Como encontro o caminho de volta para mim? Cada um de nós carrega uma história diferente. Um elenco diferente. Tempestades diferentes. Cenas diferentes do teatro da vida. Mas, por baixo de tudo isso, compartilhamos a mesma biologia. A mesma Vila. Foi por isso que escrevi este livro. Este livro é o seu mapa para a Vila que existe em de você.

Obrigada! Eu não poderia ter pedido mais. Meu agradecimento ao Mooloolaba Surf Life Saving Club pelo apoio, e aos clubbies pelo carinho, incentivo e generosidade. Um agradecimento especial a Charlie, John Caruso, Mark, Carol, Denise, Dani, Lilly, Lorraine e Ian por tornarem este evento possível :) Obrigada a todos os amigos que compartilharam este momento comigo.

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